Mais do que o fato em si, chamou minha atenção a repercussão em torno dele. No ônibus, no trabalho e até em casa ouvi alguns comentários que me deixaram realmente sem entender exatamente a identidade brasileira, a nossa alma cultural.
Eis o fato:
"Fried Haus Muritz, Wolf Peter e Carl Heinz Bierman, todos com mais 60 anos, foram presos depois de tirar parte da roupa no aeroporto internacional de Salvador. Os três alemães foram levados para a Delegacia do Turista, no Pelourinho, onde foram indiciados por ato obsceno e liberados. De acordo com a delegada Marita Souza, eles podem circular normalmente pela cidade e viajar quando quiserem. Os alemães se comprometeram a voltar a Bahia se forem chamados pela Justiça."
Eis a repercussão, no Brasil (retirado de um site de notícias e usado como exemplo-síntese do que ouvi por aí):
"Acredito que um visitante deve procurar conhecer as leis de um país antes de visitá-lo, para que não haja incompatibilidade nas culturas. Se este ato é comum no país deles, não quer dizer que seja comum em outro lugar. Deve-se respeitar as leis que regem um país, independente de qual cultura estejamos acostumados."
É verdade, devemos nos inteirar da cultura de uma país quando vamos visitá-lo. E, principalmente, devemos atentar para a imagem que um povo tem de si, e divulga de si, para tentarmos entender a alteridade. Agora, num país onde se divulga com tanta naturalidade isso e isso aqui, fica difícil entender a acusação moral a que foram submetidos os alemães aqui no Brasil, terra da garota-melancia, da "dança da bundinha", do "brega da buceta" e do "forró das rapariga e do desmantelo"...
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Ainda sobre Wonderwall


Corrigindo a informação do post anterior: a música Sandstorm definitivamente não é madrinha de wonderwall. Explicação: a banda Cast surgiu em 1993, verdade, mas o primeiro álbum da banda não é desse ano e sim de 1995, sendo que o single Sandstorm só foi lançado em 1996, quando alcançou o 8º lugar da parada inglesa (mais informações aqui). Já Wonderwall, pertencente ao What´s The Story (Mornign Glory)?, também de 1995, foi lançada como single no mesmo ano de lançamento do album. Ou seja, na pior das hipóteses, as duas músicas são... irmãs!
Mas claro isso não apaga o fato de que ela ainda é fortemente influenciada por outras fontes, a começar pelo nome, tirado de um álbum de George Harrison, Wonderwall Music (foi um disco composto, produzido e gravado por George como trilha de um filme - péssimo, parece - em 1967 e é todo instrumental - daquela fase mística; para saber mais, usem o google).
Agora as capas dos discos são legais, não são? Isso no tempo em que os discos tinham capa; hoje a única capa que reveste as músicas dos álbuns (álbuns? - quero escrever sobre isto um dia: voltamos à era dos singles) são as dos celulares...
Mas por que que eu tô falando tudo isso? Vou dormir que tá na minha hora, antes que começe a ficar nostálgico.
Só preciso rever a minha lista de fontes de informação, né Beza...
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Salgueiro 0 X 2 Sport (com gol de Ciro)
Porto 4 X 0 Santinha (!!!!)
Esse ano vai ser com os pés nas costas de novo...
domingo, 11 de janeiro de 2009
Só faltava essa...
...música! Descobri que Wonderwall também é "fortemente influenciada" por outra levada britpop. É só vocês escutarem a música Sandstorm, da banda Cast, pra constatarem isso. Devo essa descoberta a Beza que, surpreendendo a todos, principalmente a ele mesmo talvez, descobriu uma banda nova (e mais surpreendente ainda, ele gostou dessa).
Ainda de acordo com minha fonte, essa banda surgiu antes do Oasis, e teve seu primeiro CD lançado em 1993, de onde Sandstorm foi tirada. É impressionante como a sonoridade assemelha-se a Wonderwall, principalmente porque 1) as notas são as mesmas, 2) a batida é a mesma (da intro) 3) a voz do cidadão parece muito com a de Liam. Só não prestei atenção ainda na letra, confesso. Aliás, eu ainda não ouvi essa música toda: faz 1 hora que eu fico repetindo a introdução, pensando em como Noel pode ter sido tão cara de pau! huahuahuahua! Ah, sim, mas só pra fazer justiça, Noel e Liam já se declararam fãs da banda e tal...
Enfim, acho que agora não sobrou mais nenhum grande hit do Oasis intacto. Noel prova mais uma vez, para o bem ou para o mal, que na música, tal qual na natureza, nada se cria.
Cheers!
_____________________________________________________________
O ensaio foi muito bom e a banda segue de vento em popa.
_____________________________________________________________
Vi hoje que o mau-humor pode ser uma doença. Logo, eu posso ter estado doente nos últmos 25 anos de minha vida (só esqueci de pegar o atestado).
Ainda de acordo com minha fonte, essa banda surgiu antes do Oasis, e teve seu primeiro CD lançado em 1993, de onde Sandstorm foi tirada. É impressionante como a sonoridade assemelha-se a Wonderwall, principalmente porque 1) as notas são as mesmas, 2) a batida é a mesma (da intro) 3) a voz do cidadão parece muito com a de Liam. Só não prestei atenção ainda na letra, confesso. Aliás, eu ainda não ouvi essa música toda: faz 1 hora que eu fico repetindo a introdução, pensando em como Noel pode ter sido tão cara de pau! huahuahuahua! Ah, sim, mas só pra fazer justiça, Noel e Liam já se declararam fãs da banda e tal...
Enfim, acho que agora não sobrou mais nenhum grande hit do Oasis intacto. Noel prova mais uma vez, para o bem ou para o mal, que na música, tal qual na natureza, nada se cria.
Cheers!
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O ensaio foi muito bom e a banda segue de vento em popa.
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Vi hoje que o mau-humor pode ser uma doença. Logo, eu posso ter estado doente nos últmos 25 anos de minha vida (só esqueci de pegar o atestado).
sábado, 25 de outubro de 2008
Supernova de champagne
Não é segredo pra alguém que me conheça, de verdade, o estrago que o Oasis fez na minha vida.
Da minha adolescência, quando quero (ou preciso, porque às vezes realmente precisamos) recordar alguma passagem ou momento eu não abro, como alguns fariam e fazem, grossos albuns de fotos ou, no caso dos mais novos, pastas com imagens digitalizadas. Nem mesmo abro o orkut.
Eu boto um cd de Oasis. Qualquer um. Basta escolher a fase. A libertinagem do Definitely Maybe, ou a emoção do What´s The Story (Mornign Glory), a psicodelia do Be Here Now, a empolgação ingênua do The Masterplan... Afinal, tudo isso não tem tudo a ver com adolescência?
Bom, se não, tem a ver pelo menos com a minha adolescência.
Com o meu quarto. Com a minha cama. Com as minhas horas. Com os meus pensamentos, que voavam alto (ainda voariam?). Meus pensamentos... supernovas de champagne; explosivos, distantes e etílicos!
Da minha adolescência, quando quero (ou preciso, porque às vezes realmente precisamos) recordar alguma passagem ou momento eu não abro, como alguns fariam e fazem, grossos albuns de fotos ou, no caso dos mais novos, pastas com imagens digitalizadas. Nem mesmo abro o orkut.
Eu boto um cd de Oasis. Qualquer um. Basta escolher a fase. A libertinagem do Definitely Maybe, ou a emoção do What´s The Story (Mornign Glory), a psicodelia do Be Here Now, a empolgação ingênua do The Masterplan... Afinal, tudo isso não tem tudo a ver com adolescência?
Bom, se não, tem a ver pelo menos com a minha adolescência.
Com o meu quarto. Com a minha cama. Com as minhas horas. Com os meus pensamentos, que voavam alto (ainda voariam?). Meus pensamentos... supernovas de champagne; explosivos, distantes e etílicos!
sábado, 1 de março de 2008
Mantenha-se Jovem
Bom, eu adoro as duas músicas às quais este post é dedicado. A empolgação ao ouvi-las é a mesma. Tá bom, tá bom, é verdade que também não dá pra comparar a qualidade da composição de Dylan... Mas atente-se bem para a reflexão em comum: o universo jovem e toda a áurea mítica de eternidade, verdade e vontade (de poder?) que o rodeia...
P.S.: Não sei que versão é essa de "Forever Young"... acho a versão original (banquinho + violão) bem melhor, mas não a encontrei de jeito nenhum!
Oasis (Noel Gallagher) - Stay Young
One way out is all you're ever gonna get
From those who'll hand it out don't never let it upset you
Cos they'll put words into our mouths they're making us feel so ashamed
Making us take the blame
Making us cold in the night
Making us question my heart and soul
And I think that it's not quite right
Hey! stay young and invincible
Cos we know just what we are
And come what may we're unstoppable
Cos we know just what we are
Feed your head with all the things you need
When you're hungry
Stay in bed and sleep all day as long as it's Sunday
Cos they'll put words into your mouth they're making you feel so ashamed
Bob Dylan (Bob Dylan) - Forever Young
May God bless and keep you always,
May your wishes all come true,
May you always do for others
And let others do for you.
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.
May you grow up to be righteous,
May you grow up to be true,
May you always know the truth
And see the lights surrounding you.
May you always be courageous,
Stand upright and be strong,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.
May your hands always be busy,
May your feet always be swift,
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift.
May your heart always be joyful,
May your song always be sung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Confissões de desordem
Sempre que eu ouço algum comentário da Mirian Leitão no Bom Dia Brasil bate aquela frustração com a Humanidade. Apesar de todos os esforços da mãe natureza (quem sabe não há uma intervenção divina nesse sentido também); apesar de todos os ideais de justiça e das mais caras virtudes que aprendemos a valorizar e a ensinar desde cedo; apesar ainda de todas as observações mundanas, que nos informam sobre a necessidade de mudança ("do jeito que está não pode ficar", etc); apesar de tudo isso... a obstinação do acaso consegue, vez por outra, produzir uma Mirian Leitão em cada época. Sociologicamente falando porém, cada época produz sua Mirian Leitão.
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Outro dia o Fernando Vieira de Mello falava no Primeiro Jornal da Band sobre os "baderneiros" que haviam invadido a USP e depredado a reitoria. O argumento do cidadão era aquele mesmo, desde sempre presente nas rodinhas da alta classe: o movimento estudantil é uma farsa devido à alta rotatividade da condição de estudante.
Réplica: Senhor, não importam as pessoas que fazem parte do movimento (aliás, a palavra "movimento" deveria lhe indicar algo), mas sim o porquê das reivindicações (que por sinal, não foram em nenhum momento aventadas pela reportagem). Se há uma demanda por melhoria da qualidade de ensino, não interessa se quem está cobrando é secundarista, universitário ou doutor. Em homenagem a Fernando Vieira de Mello e ao jornalismo da Band (como faz falta o Franklin Martins...) divulgo isso
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O negócio anda meio esculhambado quando o assunto é Hugo Chaves. O homem conseguiu, verdade seja dita, o que sempre quis: polarizar as opiniões. É um Bush socialista. Ou são extremamente favoráveis ou demasiadamente desfavoráveis, não há espaço para demagogos. No Brasil, ainda não ouvi (ou vi) nada a favor. Por isso esse post. Eu, que invejo muito (e ainda conservo) meus tempos de maloqueiro, vou trepar no muro outra vez.
Chaves é doido? É. É tabacudo? É. É "bufão" e falador? É. Mas também (e sobretudo) é fruto de um país abandonado pelas elites aconômicas (ex-elites políticas) da Venezuela. A Venezuela era, sem retoques, um zero a esquerdo no continente. Uma Nicarágua sul-americana. De repente, a porra do petróleo começa a servir pra alguma coisa. As Missões do governo são necessárias, e somente o são pelos desmandos da era pré-Chaves. São os que hoje criticam Hugo Chaves quem o pariram.
Isso fere minha alcunha de democrata? De jeito nenhum. Como qualquer pessoa que venha a considerar o caso com seriedade, também temo o antevisto "deslize autoritário" na Venezuela. A democracia não é um meio. É um fim. Mas também é preciso que ela seja fundada. Estou com Andrew Arato. Momentos de fundação são bem-vindos. A Venezuela precisava romper o abismo entre a democracia formal e a substantiva. Resta saber se Chaves também pensa assim, e mais, se continuará pensando assim quando chegar a hora de transferir o poder de volta ao povo.
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Outro dia o Fernando Vieira de Mello falava no Primeiro Jornal da Band sobre os "baderneiros" que haviam invadido a USP e depredado a reitoria. O argumento do cidadão era aquele mesmo, desde sempre presente nas rodinhas da alta classe: o movimento estudantil é uma farsa devido à alta rotatividade da condição de estudante.
Réplica: Senhor, não importam as pessoas que fazem parte do movimento (aliás, a palavra "movimento" deveria lhe indicar algo), mas sim o porquê das reivindicações (que por sinal, não foram em nenhum momento aventadas pela reportagem). Se há uma demanda por melhoria da qualidade de ensino, não interessa se quem está cobrando é secundarista, universitário ou doutor. Em homenagem a Fernando Vieira de Mello e ao jornalismo da Band (como faz falta o Franklin Martins...) divulgo isso
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O negócio anda meio esculhambado quando o assunto é Hugo Chaves. O homem conseguiu, verdade seja dita, o que sempre quis: polarizar as opiniões. É um Bush socialista. Ou são extremamente favoráveis ou demasiadamente desfavoráveis, não há espaço para demagogos. No Brasil, ainda não ouvi (ou vi) nada a favor. Por isso esse post. Eu, que invejo muito (e ainda conservo) meus tempos de maloqueiro, vou trepar no muro outra vez.
Chaves é doido? É. É tabacudo? É. É "bufão" e falador? É. Mas também (e sobretudo) é fruto de um país abandonado pelas elites aconômicas (ex-elites políticas) da Venezuela. A Venezuela era, sem retoques, um zero a esquerdo no continente. Uma Nicarágua sul-americana. De repente, a porra do petróleo começa a servir pra alguma coisa. As Missões do governo são necessárias, e somente o são pelos desmandos da era pré-Chaves. São os que hoje criticam Hugo Chaves quem o pariram.
Isso fere minha alcunha de democrata? De jeito nenhum. Como qualquer pessoa que venha a considerar o caso com seriedade, também temo o antevisto "deslize autoritário" na Venezuela. A democracia não é um meio. É um fim. Mas também é preciso que ela seja fundada. Estou com Andrew Arato. Momentos de fundação são bem-vindos. A Venezuela precisava romper o abismo entre a democracia formal e a substantiva. Resta saber se Chaves também pensa assim, e mais, se continuará pensando assim quando chegar a hora de transferir o poder de volta ao povo.
domingo, 11 de novembro de 2007
O melhor dos sete pecados
Eles foram descobertos quando abriam um show da Pity. O empresário de uma grande gravadora assistia ao show e percebeu um diamante a ser lapidado. É verdade que, às vezes, soa adolescente demais, mas não seria isso a essência do Rock?
Com certeza, trata-se da melhor banda dos últimos tempos da última semana.
Quem sabe não estará no Abril 2008? É esperar pra ver. Por enquanto, nos contentaremos com isso
Com certeza, trata-se da melhor banda dos últimos tempos da última semana.
Quem sabe não estará no Abril 2008? É esperar pra ver. Por enquanto, nos contentaremos com isso
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