Sempre que eu ouço algum comentário da Mirian Leitão no Bom Dia Brasil bate aquela frustração com a Humanidade. Apesar de todos os esforços da mãe natureza (quem sabe não há uma intervenção divina nesse sentido também); apesar de todos os ideais de justiça e das mais caras virtudes que aprendemos a valorizar e a ensinar desde cedo; apesar ainda de todas as observações mundanas, que nos informam sobre a necessidade de mudança ("do jeito que está não pode ficar", etc); apesar de tudo isso... a obstinação do acaso consegue, vez por outra, produzir uma Mirian Leitão em cada época. Sociologicamente falando porém, cada época produz sua Mirian Leitão.
_____________________________________________________________________
Outro dia o Fernando Vieira de Mello falava no Primeiro Jornal da Band sobre os "baderneiros" que haviam invadido a USP e depredado a reitoria. O argumento do cidadão era aquele mesmo, desde sempre presente nas rodinhas da alta classe: o movimento estudantil é uma farsa devido à alta rotatividade da condição de estudante.
Réplica: Senhor, não importam as pessoas que fazem parte do movimento (aliás, a palavra "movimento" deveria lhe indicar algo), mas sim o porquê das reivindicações (que por sinal, não foram em nenhum momento aventadas pela reportagem). Se há uma demanda por melhoria da qualidade de ensino, não interessa se quem está cobrando é secundarista, universitário ou doutor. Em homenagem a Fernando Vieira de Mello e ao jornalismo da Band (como faz falta o Franklin Martins...) divulgo isso
___________________________________________________________________
O negócio anda meio esculhambado quando o assunto é Hugo Chaves. O homem conseguiu, verdade seja dita, o que sempre quis: polarizar as opiniões. É um Bush socialista. Ou são extremamente favoráveis ou demasiadamente desfavoráveis, não há espaço para demagogos. No Brasil, ainda não ouvi (ou vi) nada a favor. Por isso esse post. Eu, que invejo muito (e ainda conservo) meus tempos de maloqueiro, vou trepar no muro outra vez.
Chaves é doido? É. É tabacudo? É. É "bufão" e falador? É. Mas também (e sobretudo) é fruto de um país abandonado pelas elites aconômicas (ex-elites políticas) da Venezuela. A Venezuela era, sem retoques, um zero a esquerdo no continente. Uma Nicarágua sul-americana. De repente, a porra do petróleo começa a servir pra alguma coisa. As Missões do governo são necessárias, e somente o são pelos desmandos da era pré-Chaves. São os que hoje criticam Hugo Chaves quem o pariram.
Isso fere minha alcunha de democrata? De jeito nenhum. Como qualquer pessoa que venha a considerar o caso com seriedade, também temo o antevisto "deslize autoritário" na Venezuela. A democracia não é um meio. É um fim. Mas também é preciso que ela seja fundada. Estou com Andrew Arato. Momentos de fundação são bem-vindos. A Venezuela precisava romper o abismo entre a democracia formal e a substantiva. Resta saber se Chaves também pensa assim, e mais, se continuará pensando assim quando chegar a hora de transferir o poder de volta ao povo.
_____________________________________________________________________
Outro dia o Fernando Vieira de Mello falava no Primeiro Jornal da Band sobre os "baderneiros" que haviam invadido a USP e depredado a reitoria. O argumento do cidadão era aquele mesmo, desde sempre presente nas rodinhas da alta classe: o movimento estudantil é uma farsa devido à alta rotatividade da condição de estudante.
Réplica: Senhor, não importam as pessoas que fazem parte do movimento (aliás, a palavra "movimento" deveria lhe indicar algo), mas sim o porquê das reivindicações (que por sinal, não foram em nenhum momento aventadas pela reportagem). Se há uma demanda por melhoria da qualidade de ensino, não interessa se quem está cobrando é secundarista, universitário ou doutor. Em homenagem a Fernando Vieira de Mello e ao jornalismo da Band (como faz falta o Franklin Martins...) divulgo isso
___________________________________________________________________
O negócio anda meio esculhambado quando o assunto é Hugo Chaves. O homem conseguiu, verdade seja dita, o que sempre quis: polarizar as opiniões. É um Bush socialista. Ou são extremamente favoráveis ou demasiadamente desfavoráveis, não há espaço para demagogos. No Brasil, ainda não ouvi (ou vi) nada a favor. Por isso esse post. Eu, que invejo muito (e ainda conservo) meus tempos de maloqueiro, vou trepar no muro outra vez.
Chaves é doido? É. É tabacudo? É. É "bufão" e falador? É. Mas também (e sobretudo) é fruto de um país abandonado pelas elites aconômicas (ex-elites políticas) da Venezuela. A Venezuela era, sem retoques, um zero a esquerdo no continente. Uma Nicarágua sul-americana. De repente, a porra do petróleo começa a servir pra alguma coisa. As Missões do governo são necessárias, e somente o são pelos desmandos da era pré-Chaves. São os que hoje criticam Hugo Chaves quem o pariram.
Isso fere minha alcunha de democrata? De jeito nenhum. Como qualquer pessoa que venha a considerar o caso com seriedade, também temo o antevisto "deslize autoritário" na Venezuela. A democracia não é um meio. É um fim. Mas também é preciso que ela seja fundada. Estou com Andrew Arato. Momentos de fundação são bem-vindos. A Venezuela precisava romper o abismo entre a democracia formal e a substantiva. Resta saber se Chaves também pensa assim, e mais, se continuará pensando assim quando chegar a hora de transferir o poder de volta ao povo.