terça-feira, 13 de novembro de 2007

Confissões de desordem

Sempre que eu ouço algum comentário da Mirian Leitão no Bom Dia Brasil bate aquela frustração com a Humanidade. Apesar de todos os esforços da mãe natureza (quem sabe não há uma intervenção divina nesse sentido também); apesar de todos os ideais de justiça e das mais caras virtudes que aprendemos a valorizar e a ensinar desde cedo; apesar ainda de todas as observações mundanas, que nos informam sobre a necessidade de mudança ("do jeito que está não pode ficar", etc); apesar de tudo isso... a obstinação do acaso consegue, vez por outra, produzir uma Mirian Leitão em cada época. Sociologicamente falando porém, cada época produz sua Mirian Leitão.
_____________________________________________________________________

Outro dia o Fernando Vieira de Mello falava no Primeiro Jornal da Band sobre os "baderneiros" que haviam invadido a USP e depredado a reitoria. O argumento do cidadão era aquele mesmo, desde sempre presente nas rodinhas da alta classe: o movimento estudantil é uma farsa devido à alta rotatividade da condição de estudante.
Réplica: Senhor, não importam as pessoas que fazem parte do movimento (aliás, a palavra "movimento" deveria lhe indicar algo), mas sim o porquê das reivindicações (que por sinal, não foram em nenhum momento aventadas pela reportagem). Se há uma demanda por melhoria da qualidade de ensino, não interessa se quem está cobrando é secundarista, universitário ou doutor. Em homenagem a Fernando Vieira de Mello e ao jornalismo da Band (como faz falta o Franklin Martins...) divulgo isso
___________________________________________________________________

O negócio anda meio esculhambado quando o assunto é Hugo Chaves. O homem conseguiu, verdade seja dita, o que sempre quis: polarizar as opiniões. É um Bush socialista. Ou são extremamente favoráveis ou demasiadamente desfavoráveis, não há espaço para demagogos. No Brasil, ainda não ouvi (ou vi) nada a favor. Por isso esse post. Eu, que invejo muito (e ainda conservo) meus tempos de maloqueiro, vou trepar no muro outra vez.
Chaves é doido? É. É tabacudo? É. É "bufão" e falador? É. Mas também (e sobretudo) é fruto de um país abandonado pelas elites aconômicas (ex-elites políticas) da Venezuela. A Venezuela era, sem retoques, um zero a esquerdo no continente. Uma Nicarágua sul-americana. De repente, a porra do petróleo começa a servir pra alguma coisa. As Missões do governo são necessárias, e somente o são pelos desmandos da era pré-Chaves. São os que hoje criticam Hugo Chaves quem o pariram.
Isso fere minha alcunha de democrata? De jeito nenhum. Como qualquer pessoa que venha a considerar o caso com seriedade, também temo o antevisto "deslize autoritário" na Venezuela. A democracia não é um meio. É um fim. Mas também é preciso que ela seja fundada. Estou com Andrew Arato. Momentos de fundação são bem-vindos. A Venezuela precisava romper o abismo entre a democracia formal e a substantiva. Resta saber se Chaves também pensa assim, e mais, se continuará pensando assim quando chegar a hora de transferir o poder de volta ao povo.

domingo, 11 de novembro de 2007

O melhor dos sete pecados

Eles foram descobertos quando abriam um show da Pity. O empresário de uma grande gravadora assistia ao show e percebeu um diamante a ser lapidado. É verdade que, às vezes, soa adolescente demais, mas não seria isso a essência do Rock?

Com certeza, trata-se da melhor banda dos últimos tempos da última semana.
Quem sabe não estará no Abril 2008? É esperar pra ver. Por enquanto, nos contentaremos com isso

domingo, 28 de outubro de 2007

Apresentação (ou Como Gostaria de Ser Visto)

Não sei exatamente se está certa essa minha intuição, que insiste em considerar blogs como uma maneira (mais uma) de (con)formar a imagem nossa que desejamos tornar pública. Porque possuímos várias imagens, claro. Tantas quantas pessoas existam no mundo. Ao menos os blogs permitiriam que apresentássemos uma imagem "oficial" do "eu" de cada um de nós. Mas, afinal, não sei exatamente se está certa essa minha intuição, pois se certa estivesse, eu jamais criaria um blog. Prefiro continuar, em parte, inacessível. O que será tornado público são minhas opiniões sobre algumas coisas. E opiniões, maleáveis como são, só são capazes de expor aquela nossa parte que, parafraseando Baudelaire, é nossa metade fluida e mutável, cuja outra metade é imutável e eterna.

"Palavras a Esmo"? Exatamente. A proposta desse blog é tão somente despejar palavras, a esmo, sobre temas que julgo importantes. Aliás, mais do que importantes: interessantes (porque música pop nunca foi - ou nunca deveria ter sido - importante...). Eu, que sempre gostei de escrever (embora nunca tenha escrito muito), e que sempre gostei de emitir opiniões (embora nunca tenha feito com freqüência), alio o agradável ao (in)útil com este blog.

Se eu não conseguir falar nada interessante por aqui, tranqüilo. Afinal "I don't mind no goin' to Heaven, as long as they've got cigarettes in Hell".